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Somos Mais Micróbios Do Que Humanos! Você Sabia?

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Sim, somos mais micróbios que humanos!

Essa conclusão foi possível graças aos estudos do Projeto Microbioma Humano, iniciados no ano de 2000. Desde então, mais e mais cientistas vêm investigando a curiosa interação entre os micro-organismos e o ser humano.

Esses seres minúsculos estão em todos os lugares e é IMPOSSÍVEL nos livrarmos deles!! E nem deveríamos, sabe por quê?

O conjunto de micróbios, denominado microbioma, composto por bactérias, fungos, vírus e protozoários, desempenha importantes funções, essenciais aliás. Sem os serviços prestados por essa legião de micróbios (no sentido de exército mesmo!) que vive em nós, não sobreviveríamos!

placa com micróbios - blog raeasy

Mas vamos aos cálculos…

Nosso corpo possui 10 trilhões de células humanas e 100 trilhões de células microbianas. Então, tecnicamente, somos 10% humanos!

Se fizermos esta análise partindo dos dados genéticos esse número se torna ainda mais surpreendente, veja só!

Temos 20 mil genes humanos e entre 2 e 20 milhões de genes bacterianos. Então, do ponto de vista do número de genes, somos 1% a 0,1% humanos.

Se somarmos o peso do microbioma distribuído sobre e dentro dos nossos corpos, chegaríamos a cerca de 3 kg. Eles estão na nossa pele, saliva, boca, mucosa conjuntiva e principalmente no intestino. Provavelmente você já ouviu do seu nutricionista ou médico que precisa repor a flora intestinal ou leu alguma reportagem falando sobre a importância do microbioma intestinal, não é mesmo? 

A grande questão é, o microbioma não está onde está meramente ao acaso e essa relação mutualística (mutualismo é a relação entre duas espécies onde ambas são favorecidas) pode ser muito mais benéfica do que se imagina.

Vamos às funções dos nossos fiéis escudeiros:

  • Fortalecimento do sistema imunológico;
  • Regulação de funções metabólicas;
  • Metabolismo de xenobióticos (compostos químicos estranhos ao sistema biológico);
  • Síntese de nutrientes;
  • Síntese de serotonina (cerca de 95%);
  • Regulação do sono.


A comunidade microbiana que reside em nós, vive em perfeita harmonia na maior parte no tempo. Quando há uma perturbação pontual, como uso de antibióticos (que acabam eliminando não só o micro-organismo causador da doença), ou uma perturbação contínua, como uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados (ricos em aditivos químicos como corantes e conservantes), ocorre um desequilíbrio na dinâmica microbiana, chamado de disbiose. 

A disbiose é uma condição onde alguns micro-organismos se multiplicam mais do que outros e tem sido relacionada ao aparecimento de diversas doenças crônicas como diabetes e câncer, além de doenças neurodegenerativas, doença inflamatória intestinal, artrite reumatoide, síndrome metabólica, autismo, depressão, ansiedade e até obesidade.

Em um estudo publicado na revista americana Science em 2013, ratos magros receberam transplante de microbioma de pessoas obesas e depois de um tempo desenvolveram obesidade. O contrário foi observado quando esses mesmos ratos, então obesos, receberam microbioma de indivíduos magros e tornaram-se magros. Fantástico, não acha?

Muitas pesquisas assim têm sido conduzidas em universidades pelo mundo todo e em breve talvez tenhamos novas formas para tratar doenças tão recorrentes utilizando a modulação do microbioma intestinal.

Gupta e colaboradores, em estudo publicado em setembro deste ano na Nature, desenvolveram um índice baseado em cálculos matemáticos (a partir da composição do microbioma) capaz de predizer com alta taxa de acerto, quais doenças um indivíduo teria mais probabilidade de desenvolver. Um exame relativamente simples, não invasivo e que está se tornando cada vez mais barato. Toda essa informação é conseguida a partir do sequenciamento genético de uma simples amostra de fezes.

Outro fato curioso, mas que já produziu resultados muito positivos, é o transplante fecal em humanos. A técnica é utilizada como o objetivo de colonizar o intestino do receptor com uma flora intestinal benéfica (de um doador saudável), auxiliando no tratamento ou prevenção de doenças.

microbio intestino raeasy - recomposição da flora intestinalPara o transplante fecal, doador e receptor passam por uma série de exames para garantir que não haverá a transmissão de vírus como o da HIV ou hepatite. Cerca de 85% dos casos de transplante fecal são bem-sucedidos, não havendo rejeição por parte do receptor.

A prática ainda não é comum no Brasil e o primeiro transplante ocorreu em 2013, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Em 2017, no hospital da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) foi criado o primeiro banco de fezes humanas.

Apesar de tantos esforços e recursos investidos para tentar desvendar o microbioma humano, esse campo da ciência ainda é um universo a ser explorado. Não conseguimos afirmar com certeza os mecanismos pelos quais o microbioma é capaz de afetar tanto nossa saúde, mas sabemos que as funções que eles desempenham são essenciais à nossa vida.


E agora uma pergunta, pra você que ficou interessado pelo tema.

Quem tem um microbioma mais diverso, o onívoro, o carnívoro ou o herbívoro?

E a resposta é o HERBÍVORO.

vegetais na alimentação raeasy microbioma

Sim, quanto maior for a variedade de vegetais em nossa alimentação, maior será a diversidade dos micro-organismos do intestino e capacidade deles de produzir seus efeitos benéficos.

Estudos mostram que uma dieta com pelo menos 30 elementos vegetais por semana está relacionada a um melhor controle de peso, melhor saúde cardíaca e melhor saúde mental.

 


E aí, quantos vegetais você comeu na última semana?

Liliane Grein Beuther
Mestranda do Programa de Ciência e Tecnologia Ambiental 
Laboratório de Genética Molecular – Univali/Itajaí

 

 


Referências consultadas

Gupta, V.K., Kim, M., Bakshi, U. et al. A predictive index for health status using species-level gut microbiome profiling. Nat Commun 11, 4635 (2020). https://doi.org/10.1038/s41467-020-18476-8

Romana R. Gerner & Manuela Raffatellu. Gut pain sensors help to combat infection. Microbiolohy.

Berg, G., Raaijmakers, J.M. Saving seed microbiomes. ISME J 12, 1167–1170 (2018). https://doi.org/10.1038/s41396-017-0028-2
Gilbertt, et, al. 2013. Toward Effective Probiotics for Autism and Other Neurodevelopmental Disorders

Daily Sampling Reveals Personalized Diet-Microbiome Associations in Humans. https://doi.org/10.1016/j.chom.2019.05.005

Strategies to Facilitate Translational Advances from Microbiome Surveys. 2020.

C. Holt, et al. Understanding the role of the shrimp gut microbiome in health and disease. 2020

Gupta, et. al. Crosstalk between Vaginal Microbiome and Female Health: A review. 2019. https://doi.org/10.1016/j.micpath.2019.103696

The human microbiome in sickness and in healthMicrobioma humano en la salud y la enfermidade. 2020 https://doi.org/10.1016/j.rceng.2019.07.018

Thinking about the microbiome as a causal factor in human health and disease: philosophical and experimental considerations. 2020. https://doi.org/10.1016/j.mib.2020.01.018


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